sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Contestação dos Estudantes da ESD

Tive hoje a oportunidade de presenciar a indignada contestação levada a cabo pelos alunos da Escola Superior de Dança de Lisboa, que comandados pela sua Associação de Estudantes se decidiram pela greve e divulgação pública de imagens e relatos comprovativos das condições de segurança, higiene e geral funcionamento da referida escola como forma de reivindicação dos seus direitos enquanto pagantes de 996,72€ de propinas anuais nesta faculdade estatal.
Entre as suas audíveis razões encontram-se factos como tectos a caír nos estúdios de dança, corredores, balneários, bar e átrio de apresentações, poças de água por toda a escola e frequentes invasões de baratas, pulgas e ratos na mesma. Apesar de o corpo docente e principalmente a direcção da escola estarem cientes da veracidade dos factos, ninguém ousou comentar a contestação. Mas os alunos foram em frente! "Já tivemos de dançar no átrio a desviarmo-nos dos baldes que amparavam a água que caía do tecto!", refere uma das alunas.
A continuação do protesto foi realizada já durante a tarde, na sede do Instituto Politécnico de Lisboa, entidade à qual pertence a Escola Superior de Dança, onde os órgãos responsáveis pela Associação de Estudantes, João Fernandes e Dário Pacheco, se fizeram receber a fim de entregar a documentação comprovativa dos factos pelos quais contestam, e com conhecimento e apoio jurídico pretendem que esta entidade assuma, finalmente, as suas responsabilidades perante a ESD.
Entre a Antena 3, a TSF, e as estações televisivas SIC e UP, esta contestação tem recebido apoio aos seus fundamentos, para que estes alunos sejam, finalmente, ouvidos.
Deus os ajude... e o IPL também!

Notícias:
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Portugal/Interior.aspx?content_id=1481849 (entrevista da TSF a Dário Pacheco)

sábado, 16 de janeiro de 2010

"Os Azeitonas" - concerto de 14.01.2010



Entramos na sala 2 do Cinema S. Jorge e à partida percebemos que algo não seria o que esperávamos: não há cadeiras, apenas alguns pufs espalhados pela sala, e as pessoas chegam-se à frente e sentam-se no chão, como se estivessem num relvado prontas para ver um concerto ao ar livre. Nós não sabíamos ao que íamos, conseguimos os bilhetes e lá fomos nós embaladas pela curiosidade; e seguimos o rebanho, sentamo-nos no chão perto do palco - e não era tão mau assim.
Quando as cortinas se abriram e a música começou, primeiro pensamento: "Realmente, tudo é possível. Todos os projectos são possíveis... Até se incluírem um homem de olhos azuis com ar de modelo a tocar pandeireta, um pianista com ar de nerd e um guitarrista que raramente abre os olhos. Realmente, as aparências iludem!

O resultado? Surpreendentemente agradável, um espectáculo em que o humor pacífico complementa a simplicidade com que o grupo se apresenta e nos convida a sermos todos - eles no palco e nós no chão - parte activa do espectáculo: o público participa, entra simplesmente pela música adentro sem lhe serem impostas barreiras. Fomos ver pessoas a tocar e a cantar, não ídolos nem artistas, ou pelo menos, não dos que olham do palco para o público a pique.

Para nós, "Os Azeitonas" eram um grupo totalmente desconhecido... provavelmente eramos as únicas na sala! Mas como primeiro contacto dificilmente teriam sido mais cativantes: as vozes bem agarradas, perseguidas pelos instrumentos que vão entrando em cena e desfiando os ritmos calorosos que nos embalam; e as letras? Acima de tudo falam de amor, mas falam-no com simplicidade, de uma maneira que já não se usa (ou que ainda não se usa?!) e que por isso mesmo nos cativa. Mais profundos do que aparentam, apanham-nos de surpresa e antes de decidirmos o quanto gostamos ou não, já nos envolveram na sua descontracção e aconchegaram no seu ritmo - que entra tão bem que não percebo!

Auto-definem-se como "em formato reduzido e informal", e no entanto dá para perceber que são grandinhos e sabem o que fazem à música: desconstroem, reconstroem, adaptam, reformulam; partem e colam. É por terem tanta noção do que estão a fazer, que se podem dar ao luxo de ser pequenos e simples.
São a prova de que o simples também pode ter interesse, e pode ter qualidade. Afinal, o simples também esgota salas!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

"Conversa com Rui Horta", ESD, 13 de Janeiro

Os encontros com pessoas de quem de cor se sabe o nome, o trabalho, os projectos, mas não algo simples como o aspecto ou o tom de voz, sempre me impressionaram. Por saber que podia ter descoberto antes os pormenores que nessa pessoa encontraria, e ter resistido ao facilitismo, ter esperado para ver, esperado para ouvir. Esperado para apreciar e apreender.

O que encontrei, foi um homem simples - porque será que os mestres são sempre simples, e falam da vida como quem realmente vive? -, de horizontes abertos, que nos contou a sua história, nos introduziu a sua obra, nos mostrou o seu interior, nos provocou com o seu inteligente sarcasmo e de uma forma geral, nos disse de frente que o mundo existe e está cá para ser explorado, para ser aprofundado, para ir mais além.

Foi uma conversa frutífera - como só poderia ser quando se fala com alguém que nos sabe mostrar outros lados do prisma... nas próprias palavras de Rui Horta: "Não é só o que vemos, é como vemos o que vemos."



Quase sempre temos tudo diante dos nossos olhos. Basta abri-los, esquecer o mundo e deitar mãos à obra.



Obrigada Mestre Rui Horta,



e obrigada à Beatriz e ao João, que nos deram a oportunidade deste contacto.

sábado, 9 de janeiro de 2010

"No Teu Deserto" - Miguel Sousa Tavares


O que admiro em ti não é o conteúdo, nem a forma, nem a construção da narrativa... Não!
O que admiro em ti é a simplicidade com que me agarras, como sem gostar de ti me vicías!
Quando sei que estás a ser aborrecido e mesmo assim qualquer coisa cá dentro me faz arrebatar-te da mesa de cabeceira como se as mãos fossem ventosas, e depois mesmo estando a pensar "Que desilusão!", mergulho em ti mais um pouco e só páro quando os olhos se fecham até ao dia seguinte.
Não, não és um livro fascinante.
És apenas um livro. No entanto, não apenas mais um.
Único!
É verdade. No Equador, agarrou-me a história.
Em No Teu Deserto, agarrou-me a alma do livro.
Miguel Sousa Tavares, um homem com capacidade de criar alma para lá das palavras...
E em palavras suas,
"Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares demais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer."
Prometi que em 2010 o faria.
Prometi a mim - a pior pessoa a quem poderia fazer uma promessa!
Sabia por isso que teria de cumprir e então aqui estou eu, a descompactar as minhas palavras, as minhas opiniões, as minhas perguntas, as minhas ideias.
Partilhar uma ideia à dar-lhe volume.
Partilhar uma pergunta, é ir à luta.
Partihar uma opinião, é atar a corda ao ramo e arriscar que nos tirem o banco debaixo dos pés.
Partilhar palavras, é ser humano.

Aqui vou eu!