sábado, 9 de janeiro de 2010

"No Teu Deserto" - Miguel Sousa Tavares


O que admiro em ti não é o conteúdo, nem a forma, nem a construção da narrativa... Não!
O que admiro em ti é a simplicidade com que me agarras, como sem gostar de ti me vicías!
Quando sei que estás a ser aborrecido e mesmo assim qualquer coisa cá dentro me faz arrebatar-te da mesa de cabeceira como se as mãos fossem ventosas, e depois mesmo estando a pensar "Que desilusão!", mergulho em ti mais um pouco e só páro quando os olhos se fecham até ao dia seguinte.
Não, não és um livro fascinante.
És apenas um livro. No entanto, não apenas mais um.
Único!
É verdade. No Equador, agarrou-me a história.
Em No Teu Deserto, agarrou-me a alma do livro.
Miguel Sousa Tavares, um homem com capacidade de criar alma para lá das palavras...
E em palavras suas,
"Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares demais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer."

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