sábado, 16 de janeiro de 2010

"Os Azeitonas" - concerto de 14.01.2010



Entramos na sala 2 do Cinema S. Jorge e à partida percebemos que algo não seria o que esperávamos: não há cadeiras, apenas alguns pufs espalhados pela sala, e as pessoas chegam-se à frente e sentam-se no chão, como se estivessem num relvado prontas para ver um concerto ao ar livre. Nós não sabíamos ao que íamos, conseguimos os bilhetes e lá fomos nós embaladas pela curiosidade; e seguimos o rebanho, sentamo-nos no chão perto do palco - e não era tão mau assim.
Quando as cortinas se abriram e a música começou, primeiro pensamento: "Realmente, tudo é possível. Todos os projectos são possíveis... Até se incluírem um homem de olhos azuis com ar de modelo a tocar pandeireta, um pianista com ar de nerd e um guitarrista que raramente abre os olhos. Realmente, as aparências iludem!

O resultado? Surpreendentemente agradável, um espectáculo em que o humor pacífico complementa a simplicidade com que o grupo se apresenta e nos convida a sermos todos - eles no palco e nós no chão - parte activa do espectáculo: o público participa, entra simplesmente pela música adentro sem lhe serem impostas barreiras. Fomos ver pessoas a tocar e a cantar, não ídolos nem artistas, ou pelo menos, não dos que olham do palco para o público a pique.

Para nós, "Os Azeitonas" eram um grupo totalmente desconhecido... provavelmente eramos as únicas na sala! Mas como primeiro contacto dificilmente teriam sido mais cativantes: as vozes bem agarradas, perseguidas pelos instrumentos que vão entrando em cena e desfiando os ritmos calorosos que nos embalam; e as letras? Acima de tudo falam de amor, mas falam-no com simplicidade, de uma maneira que já não se usa (ou que ainda não se usa?!) e que por isso mesmo nos cativa. Mais profundos do que aparentam, apanham-nos de surpresa e antes de decidirmos o quanto gostamos ou não, já nos envolveram na sua descontracção e aconchegaram no seu ritmo - que entra tão bem que não percebo!

Auto-definem-se como "em formato reduzido e informal", e no entanto dá para perceber que são grandinhos e sabem o que fazem à música: desconstroem, reconstroem, adaptam, reformulam; partem e colam. É por terem tanta noção do que estão a fazer, que se podem dar ao luxo de ser pequenos e simples.
São a prova de que o simples também pode ter interesse, e pode ter qualidade. Afinal, o simples também esgota salas!

3 comentários:

  1. "quinta feira à noite... em vez de irmos a uma r&b viemos ver os azeitonas!(...)"
    quando me dizes isto eu esqueço o que dizem, esqueço as imagens que passamos (nao as reprensentando) e já sentada a teu lado minhas mãos "aqueceram" , tuas mãos também, soube naquelo momento que tinhamos entrado noutra dimensão, aquela a que muitas vezes pedimos e não vem ("ai bora para marte") e eis nós, na dimensão que tanto precisamos saltar para... e dessa vez conseguimos, demos por nós num ambiente totalmente acolhedor, em que apesar de num sitio fechado, estavamos sentadas no chão e o ar não era "poluido" nossas mãos quentes, sinais de carinho fora de mãos geladas agarrando copos de vodka qualquer coisa numa r&B...
    desta vez nossas mãos representavam uma enorme felicidade interior, nossas mãos transferiam quente, nossas mãos aplaudiam, nosso ser todo entrou harmonia...

    Gosto de ti amiga, sempre pronta para outra dimensão onde esquecemos quem somos porque vemos como realmente somos,
    peace*


    Mula

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  2. muito obrigado pela reflexão!

    saudações AZ

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  3. Obrigado telma! uma reportagem de arregalar os olhos!

    miguel, o guitarrista

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